A aplicação da sabedoria: A Fala

A aplicação da sabedoria: A Fala
A próxima área da aplicação tem a ver com a nossa fala. Exercer a sabedoria não é apenas sobre o que fazemos, mas inclui as coisas que falamos.
"Não convém ao tolo a fala excelente; quanto menos ao príncipe o lábio mentiroso!" (17:7).
O tolo não apreciará a sabedoria, nem ouvirá a sabedoria, nem crescerá em sabedoria. Isso será visto em seu caráter (como já foi discutido) e em suas palavras. Aquele que não consegue adquirir a sabedoria não falará palavras de sabedoria. O sábio, no entanto, à medida que cresce em sabedoria desenvolverá "fala excelente", que será então evidente para todos os que o ouvirem.

O Valor das Boas Palavras

No início do estudo consideramos o valor da sabedoria e como ela vale muito mais do que o ouro, a prata e outras coisas valiosas desta vida. Como a sabedoria produz "fala excelente" (17:7), esperamos que as palavras ditas por alguém que tenha adquirido sabedoria também sejam valiosas. Várias passagens no livro de Provérbios mostram que esse é o caso.
"A boca do justo é manancial de vida, porém a boca dos ímpios esconde a violência" (10:11).
Boas palavras levam à vida. Isso pode se referir ao fato de que aquele que mantém sua fala correta será abençoado nesta vida. Também é verdade que aquele que fala as palavras de justiça contribui para o bem-estar espiritual de si mesmo e de todos os que o ouvem. Em contraste, as palavras dos ímpios "esconde a violência", escondendo o dano que vem de seu discurso destrutivo.
"A boca do justo produz sabedoria; porém a língua perversa será desarraigada. Os lábios do justo sabem o que agrada; porém a boca dos ímpios fala perversidades" (10:31-32).
Aquele que se tornou justo seguindo o caminho da sabedoria de cima, falará coisas que são "aceitáveis" e dará sabedoria. O ímpio, por ter rejeitado a sabedoria divina, fala o que é "pervertido" e corrupto. Não importa o quão sábio ele pensa que é, sem a verdadeira sabedoria, ele está apenas falando o que "parece certo" para ele, o que finalmente leva à "morte" (14:12, 16:25). Salomão refere-se ao fim do conselho do homem mau quando diz que sua "língua será desarraigada".
"A língua do justo é prata escolhida; o coração dos ímpios é de pouco valor" (10:20).
"Há ouro e abundância de pedras preciosas; mas os lábios do conhecimento são joia de grande valor"(20:15).
Ouro, prata e joias sempre foram valiosos aos olhos do homem. Salomão os usa para fazer uma comparação com o discurso sábio. Se tomarmos aquelas coisas que são geralmente consideradas como as mais valiosas posses mundanas, "os lábios do conhecimento são joia de grande valor".
"Os desígnios dos maus são abominação para o Senhor; mas as palavras dos limpos lhe são aprazíveis" (15:26).
Há uma ligeira diferença na tradução da João Ferreira de Almeida Atualizada (citada acima) e na Almeida Corrigida e Revisada Fiel. Na versão Almeida Corrigida e Revisada Fiel, no entanto, aqueles que falam "palavras aprazíveis" são chamados de "puros". "as palavras dos puros são aprazíveis" (ACRF). Em ambos os casos, a pureza - que vem quando se aprende e aplica a vontade de Deus - resulta em uma fala que é agradável. Isto é contrastado com os "desígnios dos maus" - as intenções de um coração corrupto - que é uma abominação ao Senhor. Isto fornece ainda mais um lembrete de que os frutos da sabedoria - neste caso, a fala - são produzidos por alguém que tem o seu coração bem diante de Deus.
"Como maçãs de ouro em salvas de prata, assim é a palavra dita a seu tempo" (25:11).
"Como água fresca para o homem sedento, tais são as boas-novas de terra remota" (25:25).
Os dois versículos acima descrevem o grande valor das palavras de encorajamento. As "maçãs de ouro em salvas de prata" são um símbolo da beleza e riqueza de palavras que são usadas para edificar outros. A "água fresca para o homem sedento" é usada para descrever palavras encorajadoras como sendo refrescante e até mesmo salva-vidas. Sem palavras boas para encorajar e instruir os caminhos de Deus, não há razão para a esperança e nenhum caminho para a vida.

As consequências das palavras más

Além do fato de que as boas palavras são valiosas, usar as palavras adequadas também é importante por causa das consequências negativas que vêm de palavras más.
"Pela transgressão dos lábios se enlaça o mau; mas o justo escapa da angústia" (12:13).
Um homem mau vai falar coisas que também são más. Lembre-se: "Porque, como ele pensa consigo mesmo, assim é” (23:7). Seus maus pensamentos vão sair nas palavras que ele usa. Quando isto acontece e ele pecar com seus lábios, ele trará problemas sobre si mesmo. O sábio diz em outra parte: "Na boca do tolo está a vara da soberba, mas os lábios do sábio preservá-lo-ão" (14:3). As boas palavras do homem sábio fornecerão proteção contra danos que de outra forma poderiam vir contra ele. Em contraste, as más palavras do homem insensato só o põem em perigo.
"Suave é ao homem o pão da mentira; mas depois a sua boca se enche de pedrinhas" (20:17).
É comum as pessoas mentirem para conseguir o que querem. Quando eles fazem isso, eles podem ter a satisfação inicial e o prazer de desfrutar o que eles foram capazes de obter através da falsidade. Mas esse sabor "doce" acabará mudando, como se "sua boca estivesse cheia de pedrinhas". Isso poderia referir-se à culpa que mais tarde se pode ter por mentir para adquirir o que ele queria. Pode também se referir às consequências negativas da mentira - como receber a má reputação de ser um mentiroso ou a ameaça de vingança daquele que foi enganado. De qualquer maneira, Salomão está enfatizando o fato de que mentir para ganhar algum tipo de vantagem é comum, mas não é nem sábio nem benéfico no longo prazo.
"O que anda mexericando revela segredos; pelo que não te metas com quem muito abre os seus lábios" (20:19).
Um dos pecados mais comuns da língua é a fofoca. O sábio oferece alguns conselhos práticos aqui: "não te metas com quem muito abre os seus lábios". Se você se associar com um fofoqueiro, eles vão contar aos outros sobre as coisas secretas que descobrem sobre você que não precisam ser repetidas para os outros. Mesmo quem é irrepreensível e reto pode sofrer danos como resultado de fofocas espalhadas sobre ele. Por isso, é melhor não manter a companhia com um fofoqueiro. Aqueles que seguem a sabedoria seguirão esse conselho. Aqueles que não o fizerem continuarão a se associar com quem fofoca. Portanto, para a fofoca que se espalhando, há a consequência negativa de perder seus amigos piedosos (como eles seguem a instrução do homem sábio) e ficar apenas com amigos maus.
"O que amaldiçoa a seu pai ou a sua mãe, apagar-se-lhe-á a sua lâmpada nas, mais densas trevas" (20:20).
Um dos Dez Mandamentos contem a instrução de respeitar seus pais: "Honra a teu pai e a tua mãe, para que os teus dias se prolonguem na terra que o Senhor teu Deus te dá" (Êxodo 20:12). Em outra parte, a Lei declarou: "Maldito aquele que desonra seu pai e sua mãe" (Deuteronômio 27:16). Aquele que amaldiçoar seu pai e sua mãe será amaldiçoado a si mesmo. A frase: "Sua lâmpada se apagará no tempo das trevas",está em contraste com a recompensa de honrar os pais: "Para que os vossos dias se prolonguem" (Êxodo 20:12). Há bênçãos por honrar os pais e consequências negativas por não o fazer. O sábio diz em outra passagem: "porque o maligno não tem futuro [recompensa]; e a lâmpada dos ímpios se apagará" (24:20). Este é o destino de alguém que usa suas palavras para amaldiçoar seus pais.
"Se procedeste loucamente em te elevares, ou se maquinaste o mal, põe a mão sobre a boca. Como o espremer do leite produz queijo verde, e o espremer do nariz produz sangue, assim o espremer da ira produz contenda" (30:32-33).
Outro pecado comum da língua é se vangloriar. Aqui no final do capítulo atribuído a Agur (30:1), somos advertidos contra a jactância. As palavras maléficas, arrogantes e dolorosas só levam a conflitos. O salmista escreveu: "Oh! Quão bom e quão suave é que os irmãos vivam em união!" (Salmo 133:1). No entanto, o homem arrogante que suscita lutas não consegue desfrutar dessa bênção. Suas palavras criam e aprofundam a divisão que existe entre seus irmãos.

Às vezes ouvimos o ditado: "A pena é mais poderosa do que a espada". Este conceito de que palavras é mais poderoso do que a força física é semelhante à ideia expressa por Salomão: "Morte e vida estão no poder da língua" (18: 21). As palavras são poderosas. O sábio nos mostra o poder das palavras boas e más.

O poder das boas palavras

"Os lábios do justo apascentam a muitos; mas os insensatos, por falta de entendimento, morrem"(10:21).
As palavras dos justos não só proporcionam um benefício para si mesmo, como também são capazes de ajudar os outros. Neste versículo, Salomão diz que suas palavras "apascentam a muitos". Em nossa sociedade, muitas pessoas têm a ideia de que "alimentar muitos" requer grandes quantias de dinheiro e programas governamentais expansivos. No entanto, Salomão diz que "os lábios dos justos" são capazes de fazer isso. Como essas palavras poderiam ajudar os outros? Eles falam palavras de sabedoria que ajudarão os outros a serem mais produtivos e autossuficientes, confiando nas bênçãos que Deus deu em vez de estarem necessitados. Mais adiante neste estudo, consideraremos os Provérbios sobre o trabalho e a mordomia. Ensinar os outros em tais formas de sabedoria ajudará "alimentar muitos".
"A ansiedade no coração do homem o abate; mas uma boa palavra o alegra" (12:25).
Estamos todos conscientes de como é difícil lidar com ansiedade e preocupação. Alguns se tornaram tão impactados por estes que eles são impedidos de realizar as atividades regulares da vida diária. Salomão diz que uma "boa palavra" é capaz de ajudar a lidar com as lutas mentais da vida. Ele diz em outro lugar: "O homem alegra-se em dar uma resposta adequada; e a palavra a seu tempo quão boa é!" (15:23). Muitas vezes, a melhor coisa para ajudar alguém a passar por uma situação difícil é uma "palavra oportuna"(veja 25:11).
"Pela longanimidade se persuade o príncipe, e a língua branda quebranta os ossos" (25:15).
Como podemos esperar que um governante seja persuadido de alguma coisa? Um método que pode vir à mente é o da força. Os governantes entendem a força. Empregam a força ou a ameaça de força para persuadir os homens a fazerem a sua vontade. Uma vez que isso é o que eles entendem, alguns acreditam que a única maneira de persuadir um governante é usando a força, ou a ameaça de força, contra ele. No entanto, o sábio diz que a tolerância ou a longanimidade pode ser usado em vez de força para realizar a mesma finalidade (geralmente, no entanto, isso não seria verdade para todos os governantes). Salomão então compara isso com quebrar um osso. Isso certamente pode ser feito com um golpe ou o impacto de uma queda. Mas o homem sábio diz que a mesma coisa pode ser conseguida por uma "língua branda", enfatizando o fato de que as palavras são muito mais poderosas e eficazes do que esperamos.

O poder das palavras más

Como as palavras boas são poderosas, assim também são as palavras más.
"O hipócrita com a boca arruína o seu próximo; mas os justos são libertados pelo conhecimento"(11:9).
Poderíamos esperar que o homem sem Deus, por suas más palavras, pudesse irritar, enfurecer ou incomodar seu próximo. Mas Salomão diz que as más palavras do ímpio são capazes de destruir o seu próximo. Através da mentira, da decepção, da calúnia, do mau conselho e do falso testemunho, alguém é capaz de arruinar a vida e até mesmo arriscar a alma de outro.
"O homem vil suscita o mal; e nos seus lábios há como que um fogo ardente. O homem perverso espalha contendas; e o difamador separa amigos íntimos" (16:27-28).
Salomão usa a ilustração do fogo para descrever quão destrutivas são as palavras do homem vil. Tiago usou esta mesma analogia quando discutiu o poder da língua: "Assim também a língua é um pequeno membro, e se gaba de grandes coisas. Vede quão grande bosque um tão pequeno fogo incendeia. A língua também é um fogo; sim, a língua, qual mundo de iniquidade, colocada entre os nossos membros, contamina todo o corpo, e inflama o curso da natureza, sendo por sua vez inflamada pelo inferno" (Tiago 3:5-6). A contenda que é causada pelo "fogo ardente" da boca do homem vil e perverso é capaz de dividir até os mais próximos amigos.
"Pesada é a pedra, e a areia também; mas a ira do insensato é mais pesada do que elas ambas"(27:3).
Salomão usa novamente uma analogia que pode ser facilmente compreendida. O peso da pedra ou areia é capaz de ser uma carga opressiva. Se ela for grande o suficiente, o indivíduo pode até ser esmagado por ela. Ele diz que "a ira do insensato" é mais onerosa e prejudicial do que o peso da pedra ou areia. A ira do tolo, ou raiva, poderia ser aplicada amplamente. Mas no contexto, Salomão está descrevendo as palavras prejudiciais do tolo. Nos versos anteriores, ele menciona jactância e a exaltação que pode vir de sua boca (27:1-2). Ele continua este pensamento, descrevendo os efeitos prejudiciais de palavras de um tolo quando ele arrogantemente as usa contra os outros.
"Faltando lenha, apaga-se o fogo; e não havendo difamador, cessa a contenda. Como o carvão para as brasas, e a lenha para o fogo, assim é o homem contencioso para acender rixas. As palavras do difamador são como bocados deliciosos, que descem ao íntimo do ventre. Como o vaso de barro coberto de escória de prata, assim são os lábios ardentes e o coração maligno. Aquele que odeia dissimula com os seus lábios; mas no seu interior entesoura o engano. Quando te suplicar com voz suave, não o creias; porque sete abominações há no teu coração. Ainda que o seu ódio se encubra com dissimulação, na congregação será revelada a sua malícia. O que faz uma cova cairá nela; e a pedra voltará sobre aquele que a revolve. A língua falsa odeia aqueles a quem ela tenha ferido; e a boca lisonjeira opera a ruína" (26:20-28).
Há vários pontos sobre o poder das palavras na passagem acima.

Primeiro, as palavras malignas não só causam conflitos, mas sustentam-no. Palavras maléficas são o combustível para o fogo. Assim como um fogo apagará quando não tiver combustível (madeira), a luta acabará quando não houver combustível para ela (as palavras do homem contencioso), também (26:20-21).

Segundo, as palavras "descem ao íntimo do ventre". Afetam profundamente o ouvinte e não são facilmente esquecidas (26:22).

Terceiro, as palavras são capazes de disfarçar o ódio no coração, como a feiura de um vaso de barro pode ser disfarçada quando é coberta com prata (26:23-26).

Em quarto lugar, as palavras enganosas do ímpio não são apenas perigosas para o ouvinte, mas também causam problemas para si mesmo (26:27, ver 12:13).

Em quinto lugar, uma língua mentirosa e lisonjeira é capaz de esmagar e arruinar aqueles que ela odeia.

Como já observamos, nunca devemos subestimar o poder das palavras - tanto o bem quanto o mal.

Compreendendo quão importante é a nossa fala, devemos ter certeza de que nossas palavras refletem a sabedoria em todos os momentos.

Falando verdade ou mentiras

Uma área em que haverá um contraste nítido entre o sábio e o tolo é que, aquele que segue a sabedoria de Deus falará a verdade. Aquele que rejeita a sabedoria divina (que é a verdade em si) falará o que é falso.
"Quem fala a verdade manifesta a justiça; porém a testemunha falsa produz a fraude. Há palrador cujas palavras ferem como espada; porém a língua dos sábios traz saúde. O lábio veraz permanece para sempre; mas a língua mentirosa dura só um momento" (12:17-19).
O sábio menciona alguns benefícios que vêm de falar a verdade.
  • Primeiro, falar a verdade comunica "o que é certo" (12:17), ou "justiça".
  • Segundo, falar a verdade "traz saúde" (12:18).
  • Terceiro, há um benefício a longo prazo para aqueles que falam a verdade em que eles "permanecem para sempre" (12:19).
Isto está em contraste com aquele que fala mentiras. Salomão diz: "a língua mentirosa dura só um momento" (12:19). Falar mentiras leva ao castigo, como diz o sábio em outro lugar: "A testemunha falsa não ficará impune, e o que profere mentiras perecerá" (19:9). Falar a mentira não só causará problemas nesta vida; causa problemas além desta vida. Assim Salomão diz: "O que guarda a sua boca e a sua língua, guarda das angústias a sua alma" (21:23). Devemos trabalhar para controlar as nossas línguas, para que não nos coloquemos em problemas, nem nesta vida nem na outra.
"Os lábios mentirosos são abomináveis ao Senhor; mas os que praticam a verdade são o seu deleite" (12:22).
A razão pela qual a mentira causa problemas para alguém depois desta vida é por causa da responsabilidade do homem diante de Deus (24:12). Mentir é "uma abominação ao Senhor". É completamente contrário à Sua natureza, pois Ele "não pode mentir" (Tito 1:2). A mentira está em harmonia com a natureza do Adversário - o Diabo - que é chamado de "pai da mentira" (João 8:44). Portanto, Deus se opõe e punirá aqueles com "lábios mentirosos". Por outro lado, "os que praticam a verdade são o seu deleite". Como resultado, aqueles que falam a verdade serão abençoados por Ele.
"Desvia de ti a malignidade da boca, e alonga de ti a perversidade dos lábios" (4:24).
Conhecendo a atitude do Senhor em relação à falsidade e os benefícios de falar a verdade, devemos ser diligentes para eliminar as palavras enganosas e tortuosas. Mais tarde, no livro de Provérbios, Agur menciona dois pedidos que tinha antes de morrer. O primeiro era: "Alonga de mim a falsidade e a mentira" (30:7-8). Nossa atitude em relação à falsidade deve ser como a de Agur, em que abominamos a falsidade tanto que não só a queremos longe de nós, mas que a impedimos de entrar em nossas próprias bocas.
"A testemunha verdadeira não mentirá; a testemunha falsa, porém, se desboca em mentiras" - "A testemunha verdadeira livra as almas; mas o que fala mentiras é traidor" (14:5, 25).
O primeiro verso contém uma declaração que esperamos sobre quem vai mentir e quem não vai. Testemunhas falsas mentem. Testemunhas de confiança falam a verdade. O segundo verso menciona as consequências das palavras dessas duas testemunhas. "A testemunha verdadeira livra as almas", na medida em que ele impede o inocente do castigo injustificado, e leva os ímpios ao castigo legítimo, salvando assim as vítimas futuras do sofrimento da mão do homem perverso. O homem perverso, através de seu falso testemunho, "é traiçoeiro", porque suas palavras ameaçam todos os que são verdadeiros e retos.
"como nuvens e ventos que não trazem chuva, assim é o homem que se gaba de dádivas que não fez" (25:14).
Nuvens e vento muitas vezes sinalizam a chegada da chuva. Quando estes são vistos por aqueles que precisam de chuva, uma esperança é produzida, uma vez que eles antecipam as chuvas se aproximando. Se na verdade não chega chuva, a esperança se transforma em decepção ou desespero, dependendo de quão a chuva era necessária. É o mesmo quando se orgulha de seus dons. Ouvi-los pode fazer com que o indivíduo se torne esperançoso como se o dom do bufão lhe fosse útil. Mas se for um falso alarde, produzirá somente o desapontamento e o ressentimentos entre aqueles que pensaram que podiam ser ajudados por aquele que reivindicou ter determinados dons. Muitas pessoas são tentadas a mentir sobre suas habilidades, a fim de impressionar os outros. O homem sábio não fará isso, mas será honesto com os outros sobre suas habilidades e dons para que outros o reconheçam como confiável e fiel.

Cuidado e discrição

Às vezes ouvimos a frase: "pense antes de falar". Esse princípio é encontrado no livro de Provérbios. Salomão nos encoraja a exercer cautela e discrição em nossa fala.
"O que acena com os olhos dá dores; e o insensato palrador cairá" - "Nos lábios do entendido se acha a sabedoria; mas a vara é para as costas do que é falto de entendimento. Os sábios entesouram o conhecimento; porém a boca do insensato é uma destruição iminente" (10:10, 13-14).
"O homem prudente encobre o conhecimento; mas o coração dos tolos proclama a estultícia"(12:23).
O "insensato" - aquele que não controla sua língua ou cuida do que diz - "será arruinado" (10:10). Os entendidos terão o cuidado de falar as palavras de sabedoria (10:13). Mas o tolo que é "falto de entendimento", traz a ruína sobre si mesmo porque não tem cuidado com o que ele diz (10:13-14). É melhor não dizer nada do que falar o que é tolo. Assim diz Salomão: "O prudente esconde o conhecimento" (12:23). Não diz que ele evita falar coisas que são falsas. Já vimos como o sábio evitará isso. Mas aqui ele está discutindo conhecimento, o que implica coisas que são verdadeiras. Nem tudo o que sabemos precisa ser dado a conhecer aos outros. O tolo não entende isso.
"Quem despreza o seu próximo é falto de senso; mas o homem de entendimento se cala. O que anda mexericando revela segredos; mas o fiel de espírito encobre o negócio" (11:12-13).
"O que perdoa a transgressão busca a amizade; mas o que renova a questão, afastam amigos íntimos”. (17:9).
Novamente, esses versículos não estão falando sobre falar coisas que são falsas. Trata-se de falar coisas que, embora possam ser verdadeiras, não devem ser tornadas públicas. Se nosso próximo está envolvido em algum pecado privado, ou ele pecou contra nós, é melhor dirigir o assunto diretamente ao próximo em privado, em vez de transformá-lo em um assunto público que todos descobrem. Ocultar uma transgressão não é ignorar ou tolerar o pecado. Em vez disso, é manter um assunto privado de modo a (espero) levar o transgressor ao arrependimento.
"Refreia as suas palavras aquele que possui o conhecimento; e o homem de entendimento é de espírito sereno. Até o tolo, estando calado, é tido por sábio; e o que cerra os seus lábios, por entendido" (17:27-28).
Cuidado e discrição no discurso é tão claramente uma característica da sabedoria que Salomão diz que um tolo que refreia suas palavras e "estando calado, é tido por sábio" (17:28). A razão pela qual abster-se de discurso desnecessário é uma característica da sabedoria é porque quanto mais se fala, mais problemas podem ser causados por seu discurso. O sábio chega até a dizer: "Na multidão de palavras não falta transgressão; mas o que refreia os seus lábios é prudente" (10:19). Aquele que não aprende a controlar sua língua pode esperar pecar com sua língua. Tiago disse que a língua "É um mal irrefreável; está cheia de peçonha mortal" (Tiago 3:8). Portanto, devemos ter muito cuidado para conter nossas palavras e falar apenas coisas que são boas e corretas.
"Responder antes de ouvir, é estultícia e vergonha" (18:13).
Tiago escreveu: "Todo homem seja pronto para ouvir, tardio para falar e tardio para se irar" (Tiago 1:19). É fácil tirar conclusões precipitadas antes de entender um assunto. Quando fazemos isso, inevitavelmente dizemos coisas que são incorretas e imprudentes. Portanto, o sábio esperará para falar e julgar um assunto até que ele saiba o quadro todo. Alguns versículos depois disto, Salomão diz: "O que primeiro começa o seu pleito parece justo; até que vem o outro e o examina" (18:17). Se falarmos sem uma compreensão completa dos fatos, poderemos cometer um erro de julgamento, trazendo assim "estultícia e vergonha" para nós mesmos.
"Laço é para o homem dizer precipitadamente: É santo; e, feitos os votos, então refletir" (20:25).
Antes de endossar ou promover algo na religião, devemos ter certeza de que está certo. Declarar precipitadamente que algo é "santo", sem primeiro procurar nas Escrituras para ver se é aprovado por Deus, é estabelecer uma armadilha para nós mesmos. Devemos primeiro saber o que é certo à vista de Deus antes de afirmarmos que algo é santo. Nossas palavras não podem tornar algo certo. Somente a palavra de Deus pode ser usada para mostrar o que é certo em relação a assuntos espirituais.
"O que guarda a sua boca preserva a sua vida; mas o que muito abre os seus lábios traz sobre si a ruína" (13:3).
Guardar a boca é ter cuidado no discurso. Aquele que é cuidadoso desta forma, mantém-se dentro do domínio da aprovação de Deus, preservando assim a sua vida. Aquele que é descuidado com o seu discurso, e, portanto, faz com que a "transgressão seja inevitável" (10:19), vai arruinar-se.
"Vês um homem precipitado nas suas palavras? Maior esperança há para o tolo do que para ele"(29:20).
O tolo neste versículo não é aquele que rejeitou a sabedoria de Deus, mas aquele que simplesmente ignora o que Deus quer que ele faça. Aquele que é ignorante ainda tem a possibilidade de ser ensinado para que ele possa adquirir entendimento. Por outro lado, quem é "precipitado nas suas palavras" não está acostumado a pensar antes de falar. Ele não está interessado em aprender, apenas em falar. Como Salomão diz em outra passagem: "O tolo não toma prazer no entendimento, mas tão somente em revelar a sua opinião" (18:2).

Ensino

Uma das coisas importantes que podemos fazer em nosso discurso é o ensino. Salomão discute isso no livro de Provérbios também.
"Os lábios dos sábios difundem conhecimento; mas não o faz o coração dos tolos" (15:7).
A sabedoria que vem de cima não se destina a uma elite de poucos, enquanto outros ficam sem ela. Se adquirimos conhecimento, deveríamos compartilhar o que sabemos para que os outros também possam adquirir conhecimento e se tornarem sábios. É a marca de um tolo não querer espalhar o conhecimento e ajudar os outros a aprender o que eles deveriam saber.
"Aquele que disser ao ímpio: Justo és; os povos o amaldiçoarão, as nações o detestarão; mas para os que julgam retamente haverá delícias, e sobre eles virá copiosa bênção. O que responde com palavras retas beija os lábios" (24:24-26).
O profeta Isaías disse: "Ai dos que ao mal chamam bem, e ao bem mal" (Isaías 5:20). Embora muitas vezes haja uma tendência hoje para os homens louvar aqueles que fazem o que é errado, não ajudamos ninguém quando chamamos os ímpios de justos. Devemos estar dispostos a chamar o pecado pelo que é. Devemos repreender a iniquidade, não a louvar ou desculpar. Se repreendemos a iniquidade, seremos abençoados. Se falharmos em fazer isso, e louvarmos os ímpios, seremos amaldiçoados.
"Não respondas ao tolo segundo a sua estultícia, para que também não te faças semelhante a ele. Responde ao tolo segundo a sua estultícia, para que ele não seja sábio aos seus próprios olhos"(26:4-5).
Estes dois versos contêm frases semelhantes sobre responder a um tolo, mas há uma diferença significativa entre eles. "Não respondas ao tolo segundo a sua estultícia", significa que não devemos responder ao tolo da mesma maneira. Não devemos responder com tolice. Embora possa ser tentador abaixar-se a seu nível, devemos evitar fazê-lo porque não ajuda ninguém e só nos magoa (nós nos tornamos como o tolo). Em vez disso, Salomão admoesta, "responde ao tolo segundo a sua estultícia". Em vez de responder a um tolo da mesma maneira (com tolice), devemos responder com sabedoria. Isso inclui repreender a iniquidade (24:25) para que outros não se engajem no mesmo comportamento pecaminoso (1 Timóteo 5:20). O importante é que, não importa quão tolos e perversos possam ser os outros, devemos sempre responder com sabedoria e não com tolice.
"O malfazejo atenta para o lábio iníquo; o mentiroso inclina os ouvidos para a língua maligna"(17:4).
Se você falar a verdade, alguns simplesmente não vão ouvir. Muitas vezes, um malfeitor escolherá ouvir aqueles que proclamarão o erro que apoia a maldade deles. Paulo declarou este princípio quando escreveu a Timóteo: "Porque virá tempo em que não suportarão a sã doutrina; mas, tendo grande desejo de ouvir coisas agradáveis, ajuntarão para si mestres segundo os seus próprios desejos" (2 Timóteo 4:3). As pessoas vão encontrar aqueles que vão dizer-lhes o que eles querem ouvir. Isso não significa que devemos deixar de proclamar a sabedoria de Deus para que não percamos nossa audiência. Devemos ensinar o que é certo, se os outros querem ouvi-lo ou não. Mas devemos estar preparados para a realidade de que alguns simplesmente não escutarão a verdade.
"O que faz com que os retos se desviem para um mau caminho, ele mesmo cairá na cova que abriu; mas os inocentes herdarão o bem" (28:10).
Este versículo nos lembra da seriedade do ensino. Se nós, através de nosso ensino, levarmos um homem justo a se desviar de Deus e seguir a maldade, sofreremos consequências por isso. Devemos ter cuidado com o que ensinamos para que sempre conduzamos os outros no caminho da verdade. Seremos responsabilizados pela maneira como fazemos isto (Tiago 3:1). Não podemos forçar os outros a aceitar a verdade e fazer o que é certo, mas devemos sempre apontá-los na direção certa.

A aplicação da sabedoria: A Fala A aplicação da sabedoria: A Fala Reviewed by Aldenir Araujo on 3/03/2018 Rating: 5

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