A Aplicação da Sabedoria: Planos para o Futuro
Alguns cristãos gastam pouco tempo pensando e planejando para o futuro porque, em suas mentes, Deus está no controle, e, portanto, eles não se preocupam com o futuro. Certamente, Deus está no controle. Mas isso não significa que não tenhamos a responsabilidade de planejar o futuro. O livro de Provérbios contém instruções que nos advertem a preparar-nos para o futuro, mas, todavia, reconhecendo a Deus em todas as coisas.
"Ao homem pertencem os planos do coração; mas a resposta da língua é do Senhor" (16:1).
"O coração do homem propõe o seu caminho; mas o Senhor lhe dirige os passos" (16:9).
Somos responsáveis pelas decisões e planos que temos de fazer na vida. Contudo, não devemos esquecer nossa responsabilidade perante Deus. Embora em nossas mentes possamos planejar nosso caminho, devemos permitir que o Senhor, por meio de Sua palavra, dirija nossos passos. O sábio disse neste mesmo capítulo: "Entrega ao Senhor as tuas obras, e teus desígnios serão estabelecidos" (16:3). Nossa principal obrigação é obedecer fielmente a Deus. Portanto, quaisquer planos que façamos devem girar em torno dessa responsabilidade.
"O cavalo prepara-se para o dia da batalha; mas do Senhor vem a vitória" (21:31).
Há uma tendência no homem de depositar muita fé em si mesmo e em seus recursos, especialmente no domínio dos assuntos militares. O profeta Isaías advertiu sobre isso: "Ai dos que descem ao Egito a buscar socorro, e se estribam em cavalos, e têm confiança em carros, por serem muitos, e nos cavaleiros, por serem muito fortes; e não atentam para o Santo de Israel, e não buscam ao Senhor" (Isaías 31:1). Salomão diz: "A vitória pertence ao Senhor", implicando que sem Deus, a vitória não seria possível. No entanto, isso não significa que nossos planos e preparações sejam fúteis. O cavalo que é "preparado para o dia da batalha" ainda deve estar preparado, ou então a derrota seria certa. A questão é que devemos fazer o que podemos fazer (fazer os preparativos que podemos fazer para o futuro) e colocar nossa confiança em Deus por todas as coisas que estão fora de nosso controle.
"Não te glories do dia de amanhã; porque não sabes o que produzirá o dia" (27:1).
Tiago escreveu algo muito parecido com isto em sua epístola, advertindo aqueles que estavam fazendo planos para o futuro não "se vangloriarem" porque "não sabem como serão [suas vidas] amanhã". Ele acrescenta: “Se o Senhor quiser, viveremos e faremos isto ou aquilo" (Tiago 4:13-16). A elaboração de planos para o futuro não é condenada por Salomão, nem foi condenada por Tiago. Em vez disso, essa é uma advertência contra a mentalidade arrogante em que o indivíduo acredita que as incertezas do futuro não terão efeito sobre ele.
"Se agir assim, certamente haverá bom futuro para você, e a sua esperança não falhará” (23:18 NVI).
Enquanto muitas coisas no futuro são incertas e fora de nosso controle, não devemos desesperar. O povo de Deus tem algo a que eles podem olhar para frente, mesmo que não seja necessariamente nesta vida. Embora o livro de Provérbios enfatize o fato de que muitas vezes há bênçãos temporais da vida que vêm quando seguimos a sabedoria, essas são declarações gerais e não absolutas.

Independentemente se as bênçãos vêm ou não vêm nesta vida como resultado de seguirmos a sabedoria que vem de cima, Deus oferece aos fiéis "um futuro" e "esperança" além desta vida. Assim, o apóstolo Paulo encorajou os irmãos em Colossos: "Pensai nas coisas que são de cima, e não nas que são da terra" (Colossenses 3:2).

Aos irmãos de Corinto, ele escreveu: "Porque sabemos que, se a nossa casa terrestre deste tabernáculo se desfizer, temos de Deus um edifício, uma casa não feita por mãos, eterna, nos céus" (2 Coríntios 5:1). Pedro escreveu da nossa "...viva esperança, pela ressurreição de Jesus Cristo dentre os mortos, para uma herança incorruptível, incontaminável e imarcescível, reservada nos céus para vós" (1 Pedro 1:3-4). Embora o livro de Provérbios se centre muito nessa vida, não devemos perder de vista a esperança eterna que o povo de Deus tem por meio de Cristo.